Uma outra forma de apadrinhar

As campanhas de apadrinhamento de estudantes moçambicanos que temos lançado anualmente suscitaram em dois dos nossos associados a vontade de apadrinhar diretamente algum jovem. Foi assim possível fazer chegar o apadrinhamento a uma menina da Casa do Menino Jesus, na Manhiça, e a outra da Casa Madre Maria Clara, em Maputo. Damos a palavra à madrinha Maria Isabel Raposo e ao padrinho Rui Lopes dos Reis, para que nos apresentem as suas afilhadas, as suas motivações e impactos gerados. E – quem sabe? – talvez despertem novas vontades de “adotar” um estudante em Moçambique.

 

“A minha afilhada é a Fraita Belito Garmone, protegida da Irmã Rufina, professora em Manhiça, Moçambique.

A ideia de apadrinhamento já vinha de trás, relembrando o tempo em que o meu marido, falecido em 2012, tinha estado forçadamente em Moçambique, na Guerra Colonial. Graças ao Ângelo, vim a poder contactar a Irmã Rufina e assim  concretizar este apadrinhamento que muito me apraz.

A Fraitaestuda Saúde Pública, em Maputo, é uma das melhores alunas, e mantém um contacto frequente comigo, escrito e visual, através do Whatsapp.

O apadrinhamento começou em fevereiro de 2021 com o primeiro pagamento de propinas no valor de €52.90 correspondentes a 4.457,87 MZN. Infelizmente o câmbio é muito variável e as propinas aumentaram bastante, para €70 ou mais, mas quero levar esta tarefa até ao fim e, quem sabe, talvez possa abraçar a Fraita aquando da sua formatura ou convidá-la a visitar-me!

Lamento não ter portadores para Maputo, já lhe enviei na Páscoa do ano passado e deste ano, livros da Pauline Chizane e amêndoas, mas os portes dos CTT também não são nada baratos…

Mas estou feliz, sim, e a Fraita também!

Maria Isabel “

 

“A minha apadrinhada é a Carminda Luís Cuengue, da Casa Madre Clara.

Já há muito tempo tencionava apadrinhar um ou uma jovem, de preferência dos PALOP, dada a nossa proximidade cultural e linguística com aqueles países. Tal foi possível concretizar quando o Ângelo indicou um grupo de jovens disponíveis para esse efeito. Escolhi a Carminda pelas referências que na altura dispus e sobretudo pela conversa que tive com a Irmã Filipa da Casa Madre Clara, que então elogiou “as suas excelentes qualidades de boa menina”.

Assim, desde março de 2021, tenho acompanhado a Carminda, escrevendo e conversando com ela pelo WhatsApp, apoiando todas as despesas dos seus estudos (inscrições, propinas, aquisição de um computador, etc.) e dos cuidados de saúde, entre outras, procurando reduzir a distância física com um acompanhamento constante que tenciono que permaneça para além da finalização da sua Licenciatura em Agropecuária, o que vai, em breve, acontecer.

Posso considerar extraordinário o impacto que este apadrinhamento tem tido para mim, pois muito mais tenho recebido em troca do que tenho oferecido, com a satisfação de auxiliar alguém que precisa, merece e retribui. E creio que para a Carminda tem-lhe proporcionado segurança ao saber que, em qualquer momento de necessidade, tem alguém para a apoiar.

Rui Lopes dos Reis”

Ângelo Soares

Voluntário SMV